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Hospital integrado


Em terreno de grande desnível, que demandou parede-diafragma com 32 m de altura, Hospital Albert Einsten dá início à ampliação para triplicar área construída


Por Eliane Quinalia


Daniel Ducci
RESUMO

Obra: Pavilhão Vicky e Joseph Safra do Hospital Israelita Albert Einstein - SP
Execução:
  Racional Engenharia 
Localização:
 Rua Ruggero Fasano, s/no 
Construção:
 julho 2006 a junho 2009
Área construída:
70.312,15 m2
Terreno: 9.211 m2|
Volume de concreto: 30.558,82 m³
Quantidade de aço:
 3.140 t
Vagas de estacionamento:
1.200
Pé-direito:
variável
Volume de solo remanejado em aterro e escavações:
120.000 m³ de bota-fora
Resistência do concreto:
pilares 50 MPa; lajes 30 MPa
Pavimentos:
 16 pavimentos 
Área útil de laje: variável de 3.000 m2 a 4.600 m²

Inaugurada em junho, a primeira fase de ampliação do Hospital Israelita Albert Einstein acrescentou cerca de 70 mil m2 de área à unidade do bairro do Morumbi, em São Paulo. As obras, que a princípio contaram com a entrega de uma torre de 15 andares - o Pavilhão Vicky e Joseph Safra, este parte integrante de um extenso projeto elaborado pela Kahn do Brasil -, são apenas o início de um projeto para os próximos dez anos, que ao final integrará cinco novos edifícios ao prédio principal, que depois também passará por uma reforma. Ao final, o hospital saltará dos 85 mil m2 iniciais para 230 mil m².

Para entender melhor é preciso observar primeiramente a concepção do novo edifício que, batizado com o nome de seus patronos, teve sua obra inteiramente calcada em um desafio estrutural: conceber duas passarelas centrais sobre um vão de 45 m, responsáveis não só por interligar os prédios, mas também por possibilitar o trajeto de funcionários e visitantes aos centros de atendimento ambulatoriais recém-projetados. Para isso, vencer o grande desnível de 20 m entre ambos os edifícios, localizados em lados opostos de um terreno em declive (de até 9 m), e interligá-lo por meio de passarelas ao prédio original foi essencial. Para isso, a equipe de engenharia optou por apoiar a construção em fundações diretas com contenções em parede-diafragma atirantada - solução recomendada pelo engenheiro calculista Cesar Pereira Lopes junto ao engenheiro Ivan Joppert, da Infraestrutura Engenharia, na implantação do edifício-garagem de quatro pavimentos e cinco subsolos - anexo ao edifício da unidade. "As fundações foram executadas em estacões e estacas barretes escavadas com auxílio de lama bentonítica, para suportar grandes cargas", diz Joppert.

Divulgação: Kahn do Brasil
Duas passarelas construídas sobre um vão de 45 m interligam os edifícios e permitem o trajeto de funcionários e visitantes aos centros de atendimento ambulatoriais recém-projetados
A partir disso, a construção do prédio de consultórios foi realizada em duas fases, que contemplaram a escavação dos dois primeiros subsolos e a construção da estrutura e, consecutivamente, os três demais subsolos. Nesse ponto, as contenções em solo grampeado facilitaram a escavação até o segundo nível e permitiram o acesso dos equipamentos necessários à execução da parede-diafragma e estacões - que posteriormente serviram de pilares para viabilizar a escavação dos demais subsolos.

Já  no novo edifício composto por sete pavimentos e oito subsolos destinados ao centro de diagnósticos, centro cirúrgico, consultórios e clínicas, a solução em parede-diafragma se manteve devido ao solo arenoso e desnível existentes, o que resultou na construção de uma "superparede" e técnicas mistas de fundações, com estacas barretes, estacões e sapatas. "Essa parede-diafragma atirantada, ou superparede, possui 32 m de desnível que arrima sedimentos arenosos com lençol freático alto", explica Joppert.

Ainda na questão estrutural, o reforço quanto ao balanço e laje protendida na região do acesso principal mostraram-se merecedores de atenção. "Para resolver essa questão optamos pela aplicação de protensão e calculamos a fachada como pórtico múltiplo, além de priorizarmos o partido estrutural em lajes planas de concreto armado com o objetivo de facilitar as instalações hospitalares", conta Lopes. Tudo isso com o intuito de melhorar os projetos de instalações, bem como os possíveis remanejamentos futuros, nos quais o uso de concreto de fck 30 MPa nas lajes e 50 MPa nos pilares minimizou as dimensões dos pilares.

Fotos: divulgação Kahn do Brasil
Torre de circulação cilíndrica em formato curvo revestida por vidro permite o trânsito e amplia a visão dos pacientes quanto à dimensão do hospital já na saída dos elevadores
Juntamente a essa questão estrutural, pontos sobre a linguagem arquitetônica também foram cuidadosamente analisados para manter o padrão hospitalar já datado de épocas anteriores. Afinal, desde o primeiro projeto de Rino Levi, até o Edifício Josef Feher - projetado por Jarbas Karman -, uma clara referência ao funcionalismo e à distinção entre embasamento e torre, com um andar de transição, sempre se fizeram notórios. Por essa razão, o arquiteto e diretor de projetos da Kahn do Brasil, Arthur P. S. Brito, projetou circulações cilíndricas revestidas em vidro, que segundo ele "destacam-se como formas puras, independentes da divisão horizontal dos andares, pois expressam as torres de circulação vertical". Desse modo, tanto o paciente ambulatorial quanto o visitante tiveram a visão do hospital ampliada ao sair do elevador, o que melhorou a orientação espacial e diminuiu a sensação de confinamento.

Já  as ribbon-windows (esquadrias corridas) entre vãos, respeitam a implantação de um peitoril interno com 1,20 m de altura e servem às bancadas de apoio a procedimentos. "Tais aberturas são projetadas até o alinhamento do forro para aproveitar a iluminação natural em virtude da orientação das fachadas, que devido à proximidade com o Edifício Josef Feher, minimizou a incidência de insolação direta", revela Brito. 

Daniel Ducci
A ampliação do hospital inclui seis pavimentos no subsolo, todos previstos para suprir a demanda do estacionamento, aumentando em 1.200 o número de vagas do complexo
Edifício sustentável 

As fachadas em mosaico com vidro e cerâmica respeitam a mesma lógica de peitoril e verga e conferem personalidade ao conjunto. Isso sem mencionar que servem ainda de continuidade à solução estrutural aplicada às passarelas e à futura linguagem do edifício adjacente, o Josef Feher - que em breve terá seu revestimento substituído em virtude do descolamento atual das peças argamassadas existentes.

Nesse sentido, fica claro entender por que o edifício irá requisitar a certificação internacional LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), por apresentar materiais e tecnologias sustentáveis. Afinal, a fachada ventilada em peças cerâmicas diminui consideravelmente o ganho de carga térmica no interior do edifício pela insolação direta. Além do que, boa parte das esquadrias que absorvem iluminação natural são formadas por vidros duplos, insulados e com micropersiana interna, o que reduz o consumo energético do prédio.

Para vislumbrar a integração e uniformidade sugeridas, basta observar o complexo como um todo e detectar que não é possível perceber onde o prédio tem início ou fim. "Foi um desafio trazer a flexibilidade imperativa no programa hospitalar a uma forma não ortogonal e heterogênea. Só conseguimos tal feito com a integração da solução arquitetônica à estrutural, que incluíram ainda a localização das torres de circulação vertical e o posicionamento dos shafts de instalação", diz Brito.

Fundações diretas com contenções em parede-diafragma atirantada marcam a construção do novo edifício, especialmente na implantação do edifício-garagem posicionado em anexo à unidade principal
No quesito sustentabilidade, o edifício manteve a antiga configuração dos pilotis e logo na entrada principal trouxe uma grande praça aberta à comunidade, com lajes cobertas com jardins (telhados verdes). Além dos ganhos com as áreas naturais, tal intervenção foi fundamental para reduzir o ganho de carga por insolação direta nos dias quentes, bem como para minimizar a perda de carga nos dias mais frios, o que fatalmente leva a construção à eficiência energética.

Nos 15 andares do edifício Vicky e Joseph Safra, cuja obra foi estimada em R$ 220 milhões, o eixo horizontal do hospital foi priorizado, com o intuito de atender a casos clínicos ambulatoriais, ou seja, passíveis de consulta clínica e hora marcada. Apenas nesse prédio, uma recepção, café, agência bancária, lojas e um Centro de Diagnóstico foram implantados, servindo ainda para cirurgias minimamente invasivas. Já os pavimentos do subsolo, cerca de seis no total, estão previstos para suprir a demanda de vagas no estacionamento, adicionando 1.200 vagas ao hospital. Atualmente, já estão em funcionamento a Unidade de Diagnósticos e de Internação-dia (até 24 horas) e um novo Centro Cirúrgico e de Procedimentos Minimamente Invasivos. As demais obras referentes ao prédio II - que se integrará aos edifícios existentes para configurar uma unidade de assistência de alta complexidade integrada de 15 mil m² -, e o prédio III - destinado ao apoio logístico e de serviços, com 50 mil m² e auditório (10 mil m²) - ainda encontram-se em construção.  

 

Estruturas metálicas, com aços de alta resistência mecânica são posicionadas na concepção da passarela em formato curvo, cujas ancoragens e acoplamento das peças garantem a integridade da estrutura
Obra prioriza a leveza nas passarelas entre edifícios

Para vencer um vão de 45 m com seis pisos de interligação e ainda conferir um aspecto leve à estrutura, o escritório Andrade Rezende - responsável pela execução das passarelas na obra - priorizou a implantação de uma estrutura metálica, com aços de alta resistência mecânica no lugar das tradicionais construções em concreto. De acordo com o engenheiro Jeferson Andrade, tal escolha se deu após a análise estática e dinâmica que formalizaria o estudo das vibrações do piso e garantiria o conforto da construção. "A estrutura totalmente parafusada para transporte e fabricação, além dos seis pisos em concreto armado, apresenta na laje trilhos para a movimentação de equipamentos móveis destinados à limpeza das fachadas", conta Andrade. A montagem da estrutura metálica foi realizada em módulos pré-montados no chão, que posteriormente foram içados com guindastes até alcançar a posição definitiva. "Nossa maior preocupação foi garantir a posição geométrica correta das ancoragens para o perfeito acoplamento das peças milimetricamente construídas em fábrica, como também o controle das deformações elásticas da estrutura, já que o formato curvo da passarela pode provocar elevados esforços resultando em deformações da estrutura", explica o engenheiro.  

 

Ficha de fornecedores

Acabamento de elétrica, bombas e combate a incêndio: Qualieng; aço: Gerdau; aço Inox: JBK e Sunto; andaimes: Urbe; ar-condicionado: Climapress; automação: Servtec; batente metálico: Icometal; busway: Schneider; calhas e rufos: Hidrocon; concreto: Engemix; detectores de fumaça: Engeprotection; divisórias e portas: Guilhen; divisórias de banheiros: Neocom; drywall: Wallplac e Jotawall; elevadores e escada rolante: Atlas Schindler; espaçadores: Coplas e Ienvelplast; esquadrias de ferro: JBK e Sunto; esquadrias de madeira: Guilhem e Caciel; esquadrias metálicas: Itefal; estrutura metálica: Tetometal; estação: Geosonda; ferragens: Papaiz, Dorma e La Fonte; fios: Phelps Dodge; furação de laje: Engefuro; geradores: Caterpillar; granito: Ferraz e Marmoraria Mendes; gruas: Grumont; guarda-corpo: Metalma e Técnica Esquadrias, impermeabilização: Casa Seca; instalações hidráulicas e elétricas: Qualieng; juntas de dilatação: Cosimo Cataldo; laje zero: Gran Nobre; louças: Deca; luminárias: Itaim; metais sanitários: Docol e Deca; paisagismo execução: Terra Verde; paredes diafragma: Brasfond e Franki; placas de drywall: Placo; revestimento vinilico de parede: Bravagen; pinturas: Isocor e Fiorentino, piso elevado: Bav Sistem Metálico Giroflex; porta corta-fogo: Metálika; remoção de entulho: Polybras; revestimento cerâmico: Cecrisa; revestimento fachada: Cecrisa e Portobello; sistema de fixação: GMN e Hilt; terraplanagem: Terramoto; vidros: Glassec; mão de obra civil: RVG, Macedo e Araujo, CPG, Gbn, Latina e Constata.

Ficha técnica

Gerenciamento da obra: Kahn do Brasil; construção: Racional Engenharia; arquitetura: Albert Kahn Family of Companies/Kahn do Brasil Projetos: ar-condicionado: Clima Clean; assessoria legal: Levisky Arquitetura; automação, segurança e projetos de instalações elétrica e hidráulica: MBM Engenharia; consultoria de caixilhos: QMD Consultoria; elevadores: Marcelo Moura; estacionamentos: Ghoubar e Ghobar Planejamento de Garagens; estrutura metálica (passarelas): Andrade e Rezende Engenharia; fachada: Kahn do Brasil; fundações e contenções: Infraestrutura Engenharia; luminotécnico: Esther Stiller Consultoria; paisagismo: Alexandre Fabbri; prevenção e combate a incêndio: Engepoint; projeto estrutural e estrutura de concreto: Escritório Técnico César Pereira Lopes

 
 
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