Danos estéticos, aumento dos custos de operação, acidentes, contaminações e desgastes de equipamentos rodantes como empilhadeiras, por exemplo, são algumas das consequências provocadas pelas patologias nos pisos industriais de concreto. Identificá- las e solucioná-las corretamente é tarefa fundamental para evitar prejuízos na produtividade de supermercados, grandes plantas industriais e em centros logísticos, locais onde a sua aplicação é recorrente.
De acordo com especialistas, as principais patologias dos pisos de concreto são a delaminação (também conhecida como desplacamento), desgaste superficial, manchas e fissuras de retração. Já os revestimentos - cuja função é proteger o concreto contra ataques químicos e mecânicos e ainda conferir maior facilidade de limpeza - poderão ser alvos de formação de bolhas, falhas e irregularidades no acabamento, destacamentos, trincas e fissuras (leia boxe).
"Os tipos de patologias que ocorrem em supermercados, áreas industriais e armazéns são da mesma natureza. O que difere é a consequência que têm para cada tipo de operação", explica o engenheiro Wagner Edson Gasparetto, presidente da Anapre (Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho).
Na maior parte dos casos, os custos de recuperação são altos e podem se equiparar ou até mesmo superar os gastos envolvidos com a execução dos pisos. Contar com um bom projeto é o primeiro passo para evitar a ocorrência de patologias e, consequentemente, a necessidade de desembolsar altas somas para saná-las. "O projeto irá definir a execução. Sem ele, essa etapa terá um caráter de improviso e, certamente, o resultado final será duvidoso", lembra Gasparetto. A partir das especificações técnicas, é possível definir um plano executivo orientado e ainda conferir previsibilidade ao sistema a ser executado.
Vale lembrar que, quando corretamente projetados, construídos - inclusive sob o ponto de vista da correta dosagem do concreto - e adequadamente conservados, os pisos de concreto podem durar décadas, podendo até mesmo chegar ao centenário. Mas, assim como todos os materiais, possuem vida útil limitada, ao final da qual apresentará sinais de fadiga, indicando a necessidade de serem repostos ou recuperados. "Esses sinais, geralmente fissuras e desgastes, não podem aparecer prematuramente. Para evitar que isso ocorra, além do projeto é importante que o usuário respeite as suas limitações", lembra Públio Penna Firme Rodrigues, da LPE Engenharia e Consultoria, empresa que realiza projetos e presta consultoria na área de pisos industriais de concreto.
Entre as condições que podem acelerar o aparecimento precoce das patologias estão a atuação de sobrecargas (móveis ou fixas), impactos ou excessiva vibração, uso de equipamentos de transporte com rodas de aço, operação imprópria de empilhadeiras e outros equipamentos. "Além disso, a impregnação do piso com graxas, óleos e outros líquidos, ocorrência de infiltração de água pelas juntas de dilatação, impactos de rodas nas regiões de juntas ou ainda lavagem incorreta do piso, com infiltração de soluções ácidas pelas juntas e incidência de temperaturas muito elevadas sobre eles também podem contribuir para danificar os pisos e prejudicar o seu desempenho e reduzir a sua vida útil", completa Ercio Thomaz, pesquisador do Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).
Concreto: patologias mais comuns e soluções indicadas
Resistência ao desgaste
A deficiência de resistência ao desgaste por abrasão é caracterizada pelo desprendimento do material superficial do piso, grãos de areia e pó de cimento. Entre as causas mais comuns estão a baixa resistência do concreto em virtude de erros durante a sua especificação (concreto de baixo fck, inferior a 25 MPa, por exemplo), tratamento superficial incorreto, concreto com exsudação excessiva ou cura inadequada. Mau uso do piso e ataques químicos também podem gerar patologias semelhantes.
A solução do problema é, na maior parte das vezes, feita pela aplicação de um bom endurecedor químico, precedida de uma limpeza enérgica com escovas abrasivas. Em seguida, deve-se aplicar novamente o endurecedor, garantindo o fechamento da porosidade superficial. Casos mais severos podem ser tratados pelo processo de lapidação com ferramentas diamantadas (até grana 3000), que confere ao piso um aspecto similar aos pisos com agregados de alta resistência. Ainda para casos de abrasão intensa, a aplicação de revestimentos argamassados, como os epoxídicos ou uretânicos, podem ser uma alternativa, desde que o concreto possibilite a ancoragem adequada desses produtos.
Delaminação
A delaminação do piso caracteriza-se pelo destacamento da camada superficial de acabamento, cuja espessura varia de 2 mm a 4 mm. Ocorre pelo selamento superficial prematuro: no momento em que a exsudação do concreto está acontecendo, a água fica "presa" sob a camada mais impermeável, promovendo o seu destacamento. As causas que podem levar à delaminação são diversas e muitas vezes controversas, sendo de natureza construtiva ou uso de concreto inadequado. No primeiro caso, a patologia pode surgir quando a operação de acabamento é feita prematuramente, sobretudo a fase final (desempenamento liso). No tocante ao concreto, teores elevados de ar incorporado ou de argamassa, uso de areia muito fina ou tempos de pega longos podem contribuir para a ocorrência do problema. As condições climáticas, como temperatura elevada, incidência prematura de sol e vento também podem promover a delaminação. O tipo de tratamento mais empregado é o reparo com argamassas poliméricas, principalmente as epoxídicas, que permitem espessuras de 3 mm a 6 mm. Também podem ser empregadas as argamassas cimentícias, modificadas com polímeros, mas, vale lembrar que nesse caso deve-se trabalhar com espessuras mais elevadas, acima de 8 mm. O reparo do piso consiste inicialmente no recorte da área danificada, formando uma figura geométrica regular, e na regularização da superfície de modo a garantir a espessura mínima para o material que será empregado no reparo. O próximo passo é a aplicação de um primer (especificado pelo fabricante do produto, caso haja necessidade) e, em seguida, da argamassa. No caso das argamassas epoxídicas, após a cura do produto, é possível fazer o lixamento.
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