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Como Construir
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Divisórias e fechamentos com placas cimentícias



Fotos: acervo do autor
Figura 1 - Aplicação da placa cimentícia em steel frame
O steel frame - método que utiliza uma base estrutural de aço - e outros processos de construção modular estão mudando a construção civil de um patamar artesanal para uma escala de montagem. Isso não é novidade, mas agora esses sistemas ganham força e a confiança do arquiteto, promovendo projetos dos mais diversos tipos: residências, espaços comerciais, showrooms etc.

As placas cimentícias são complementos essenciais nesse processo de industrialização, nesses casos para a constituição de paredes sólidas, divisórias e mezaninos, permitindo que a obra ganhe criatividade e flexibilidade.

O uso da placa cimentícia agrega valor à obra, especialmente em projetos em que há necessidade ou preocupação em otimizar o espaço físico, tempo e qualidade de acabamento. É uma alternativa rápida, limpa e econômica para construção civil, que pode ser aplicada em áreas internas e externas, além de suprir algumas restrições de outros materiais quanto ao uso em áreas molhadas.

Algumas características da construção convencional podem ser inconvenientes no momento de se optar por um sistema construtivo com necessidades específicas: método executivo artesanal, necessidade de grandes quantidades de água, operação lenta nos transportes verticais e horizontais, baixa produtividade, maior área de canteiro, maior geração de entulho e necessidade de rasgos em paredes para instalações elétricas e hidráulicas.

Em contrapartida, a placa cimentícia é uma ótima alternativa para construção seca, que tem seu formato de execução visto como linha de montagem. Para projetos que justifiquem uma preocupação com os detalhes, a opção pelas placas permite cronogramas mais bem definidos, mão de obra qualificada, menos geração de entulho, ganho de área útil  e menor sobrecarga nas fundações e lajes.

Fotos: acervo do autor
Figura 2 - Medição da guia para posicionamento dos montantes
Especificações

As placas cimentícias são basicamente constituídas de CRFS (cimento reforçado com fio sintético). O produto apresenta ótima performance técnica: flexibilidade no manuseio, durabilidade, estabilidade e resistência à umidade.

É possível encontrar as placas nos comprimentos de 2 m, 2,40 m e 3 m, sempre com a largura de 1,20 m. As placas podem ser cortadas facilmente, nas obras, com serra para mármore, de acordo com as necessidades de cada projeto.

Sua aplicação é ideal em paredes internas e externas, fachadas, beirais e oitões, shafts, módulos construtivos e steel frame, permitindo, inclusive, o uso em fechamentos curvos em projetos mais arrojados. Utiliza-se a placa cimentícia tanto em áreas secas, como úmidas, pela impermeabilidade. Também são produtos não inflamáveis, com boa resistência à flexão, intempéries, imunes a fungos, insetos e roedores. Outras características das placas cimentícias: não oxidam, não apodrecem e são resistentes a impactos. Há também a vantagem de permitirem vários tipos de acabamentos ou receberem previamente os revestimentos.

Fotos: acervo do autor
Figuras 3 e 4 - Nessa simulação de parede em escala reduzida, com o auxílio do gabarito são encaixados os montantes nas posições marcadas nas guias

Fotos: acervo do autor
Figuras 5 e 6 - Fixação montantes na guia

Fotos: acervo do autor
Figura 7 - Ao perfurar e parafusar perfis metálicos é preciso utilizar óculos de proteção para evitar ser atingido pelas minúsculas fagulhas geradas pelas ferramentas
Fotos: acervo do autor
Figura 8 - Montantes duplos: os perfis estruturais para a construção em aço leve possuem desenhos especiais que garantem o encaixe perfeito sem comprometer as dimensões do montante

Fotos: acervo do autor
Figuras 9 e 10 - Detalhes da estrutura em aberturas de portas e janelas

Fotos: acervo do autor
Figura 11 - Um reforço estrutural com a função de verga é aplicado na parte superior da abertura. Nessa demonstração utilizamos um perfil na forma de cantoneira
Aplicação da placa cimentícia em steel frame

O sistema steel frame pode ser adaptável a qualquer tipo de projeto substituindo materiais pesados como: tijolo, areia e pedra por componentes leves com função estrutural, e elementos de vedação resistentes às ações do tempo.

Partindo de um projeto com dimensões e distanciamentos entre perfis metálicos, são feitas marcações nas guias (perfis em forma de "U" que serão aplicados na posição horizontal), com a localização dos montantes (perfis em forma de "U", enrijecidos, que ficam na posição vertical). Um perfil se encaixará no outro. Os montantes podem vir pré-furados para a passagem de dutos de instalações hidráulicas e elétricas, agilizando, assim, sua implantação (fotos 1 a 11).

Como se trata de uma construção leve, a fundação é dimensionada para receber carga menor do que teríamos em uma construção convencional. Isso significa uma redução de custos a partir dessa fase da construção.

Em uma superfície plana e nivelada é feito um gabarito com perfis sobressalentes, que serão utilizados provisoriamente. Com ferramentas convencionais, é possível garantir o esquadro do gabarito, o que tornará o processo mais rápido.

Para a fixação dos perfis deve-se utilizar uma parafusadeira, conforme imagens. O elemento que garante a agilidade e segurança desse procedimento é o parafuso galvanizado autoperfurante com cabeça extraplana e ponta broca para perfis.

Sempre que houver aberturas de portas e janelas, o projeto prevê montantes duplos em suas laterais.

Sobre a fundação, com um marcador ou giz , devem ser feitas as localizações dos quadros estruturais (fotos 12 a 14). Utilizamos, nesse caso, como base, um painel formado por placas cimentícias e madeira compensada (formato sanduíche), que, por sua alta resistência a sobrecargas e cargas suspensas e isolamento acústico, é ideal para substituição de lajes em construções de dois ou mais pavimentos, como mais um aliado tecnológico em sistemas de construção seca.

A fixação de guias sobre o painel é feita com parafusos de ponta broca e cabeça sextavada. No caso da fundação, que pode ser do tipo radier, essa fixação pode ser feita com finca-pinos ou parafuso de bucha de aço.

Alguns quadros de menor dimensão, ou sujeitos à movimentação por manuseio, podem ser montados diretamente sobre a fundação ou laje, sempre com o cuidado de conferir e manter o prumo de cada quadro e do conjunto. A fixação é feita da mesma forma que nos quadros maiores (conforme figuras 18 a 21).

A aplicação das placas cimentícias segue um projeto de paginação (figura 22), que prevê o posicionamento dessas com as devidas fixações nas guias (figuras 23 e 24). Se houver necessidade, as placas podem ser cortadas na obra com auxílio de serra de mármore com disco diamantado.

O posicionamento da peça sobre a estrutura é feito com o auxílio de um grampo de obra ou "sargento", como também é conhecido.

Para a próxima etapa da montagem será necessário o uso de parafuso de ponta broca, aletas de expansão e cabeça autoescariante. Com esses equipamentos, pode-se realizar três tarefas ao mesmo tempo, exemplificadas nas imagens 26 a 28:

Perfuração da placa cimentícia com a ponta broca.

Alargamento do furo por meio das aletas de expansão, ou asas, eliminando a marcação de rosca na placa. As aletas se quebram assim que entram em contato com o perfil metálico, promovendo a fixação e o travamento da placa na estrutura.

A cabeça autoescariante faz com que o parafuso fique embutido na placa, sem deixar saliências. Uma parafusadeira com regulador de altura garante uniformidade de penetração do parafuso em todos os pontos de fixação.

Fotos: acervo do autor
Figuras 12, 13 e 14 - Marcação

Fotos: acervo do autor
Figuras 15, 16 e 17 - Montagem do painel

Fotos: acervo do autor
Figuras 18, 19, 20 e 21 - Fixação de quadros menores nos quadros maiores: simulação de encontro de paredes em "L" na estrutura

Fotos: acervo do autor
Figuras 22, 23 e 24 - Posicionamento da placa sobre a estrutura

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