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 Projetista de sistemas contra cargas atmosféricas
Maior atenção com a segurança nas edificações e normas técnicas em vigor favorece o campo de atuação do profissional que dimensiona sistemas de proteção contra raios Por Juliana Nakamura
Fundamental para garantir a segurança das pessoas e também para salvaguardar o patrimônio, a proteção contra descargas atmosféricas deve ser concebida de forma a garantir que os raios, aos quais toda edificação está suscetível, sejam conduzidos para o solo de forma rápida e segura, sem provocar danos. O profissional à frente desse trabalho é o projetista de SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas), que dimensiona a solução mais adequada para cada situação, levando em conta as condições locais e o cálculo dos níveis de risco.
Ao longo dos anos, o mercado de trabalho para esse profissional vem evoluindo gradativamente. A criação de normas como a NR-10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade e a NBR 5419:2005 - Proteção de Estruturas contra Descargas Atmosféricas, induziram o setor a se profissionalizar. Também contribuiu a maior fiscalização por parte de órgãos públicos municipais e estaduais, especialmente dos Corpos de Bombeiros. "No passado, as instalações de SPDA em organizações privadas e em condomínios residenciais não eram consideradas de primeira necessidade.
Felizmente isso vem mudando", comemora o engenheiro Mario Cezar Paiva, diretor da EngeLogic Engenharia e Controle Industrial. O engenheiro Normando Virgilio Borges Alves, diretor técnico da Termotécnica Para-raios, concorda e diz que a maior consciência coletiva para a questão das descargas atmosféricas, decorrente da maior divulgação do assunto em toda a mídia, tem funcionado também como uma alavanca para o aprimoramento desse setor.
Outro sinal de progresso é o aumento de profissionais dedicados exclusivamente à área de proteção contra raios. Normalmente, o SPDA é desenvolvido como complemento do projeto de instalações elétricas. "Mas, nos últimos anos, vemos que esse projeto tem se tornado mais específico devido às suas particularidades, demandando maior especialização do projetista que o desenvolve", afirma Júlio Fonseca, diretor de engenharia da Green Gold, ressaltando que nem todo o projetista de instalações elétricas tem competência para desenvolver um bom projeto de proteção contra cargas atmosféricas
Para ser bem-sucedido, o profissional que atua com projetos de SPDA deve ter conhecimento profundo das diretrizes normativas. Afinal, são elas que norteiam os conceitos de uma instalação. "A interpretação equivocada de itens da norma pode inviabilizar um projeto ou levar à perda de uma concorrência ou licitação", salienta Paiva. Além disso, é necessário manter-se atualizado, já que as tecnologias disponíveis estão em permanente evolução. A participação de feiras e eventos técnicos, por exemplo, deve estar integrada à rotina do projetista.
Assim como ocorre com outras áreas da engenharia, o profissional que trabalha com projeto de proteção contra descargas atmosféricas também precisa saber manipular softwares específicos, como CAD. Mas apenas dominar a tecnologia não é suficiente. Geralmente, a flexibilidade, polivalência e os conhecimentos práticos é que são determinantes para que um profissional tenha uma jornada bem-sucedida.
Criatividade é outra habilidade que deve fazer parte do perfil do projetista de SPDA. Isso porque o profissional deve ser capaz de propor alternativas que sejam o mais funcional possível e que, ainda, tenham custo competitivo e sejam, de certa forma, imperceptíveis. "Muitas instalações devem se integrar à arquitetura da edificação e, cada vez mais os clientes solicitam instalações visualmente limpas", diz o engenheiro da Engelogic.
Embora não seja imprescindível, uma característica desejável ao profissional é a vivência anterior em obras de construção civil. A maioria dos projetos de descargas atmosféricas nasce junto com o projeto inicial da edificação e evolui nas etapas iniciais da construção. "A implantação de um sistema de SPDA segue em paralelo com os alicerces de uma obra e, nesse contexto, o conhecimento das rotinas e etapas iniciais de construção civil torna-se um bom diferencial para o profissional", finaliza Paiva.
O profissional
Quais são os maiores desafios que um projetista de SPDA enfrenta no dia a dia?
São a falta de informação que os contratantes desse tipo de serviço têm. Em geral, o cliente apenas contrata esse tipo de serviço porque algum órgão exige que isso seja feito, não porque ele tenha consciência da necessidade de proteção. Isso é um indicador da falta da consciência coletiva que o brasileiro ainda padece. Outro grande problema que enfrentamos são as crenças populares sobre os raios que ainda infestam as cabeças dos leigos.
Como foi o início de sua carreira?
Se hoje a vida é difícil, há 27 anos, quando eu comecei, era bem pior. Não havia computador e tudo tinha que ser feito à mão. As ferramentas eram régua "T", caneta nanquim, aranha, normógrafo, prancheta e papel vegetal. Mas o pior mesmo é que havia pouquíssimas leis exigindo o SPDA. Naquela época, fazer o cliente comprar esse tipo de serviço exigia um esforço muito maior.
Qual é a sua formação? Como se especializou?
Formei-me engenheiro civil há 16 anos, com pós-graduação em engenharia de segurança do trabalho. A minha especialização veio de forma autodidata, lendo normas e livros e me dedicando o máximo possível ao assunto. Depois de muitos anos tirando dúvidas de amigos e clientes, surgiu a ideia de ministrar cursos de SPDA, o que venho fazendo há quase 20 anos.
Que dicas o senhor pode dar para o profissional que almeja ingressar nessa atividade?
Além de muito empenho, recomendo que o profissional desenvolva outras habilidades, como gestão de pessoas e conflitos, comunicação, motivação em grupo etc. Isso certamente lhe será muito útil. Mas é importante ter consciência de que não será uma jornada fácil. A gente convive com colegas que não sabem o que estão fazendo, não conhecem normas, que praticam preços fora da realidade. O cliente muitas vezes acha que a gente vende um papel e não o nosso conhecimento. Nenhum desses motivos deve desestimular o profissional sério a seguir em frente, já que todas as profissões têm seus reveses.
Currículo
Atribuições: desenvolvimento dos projetos básico e executivo dos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas.
Formação: engenharia civil ou elétrica com especialização em sistemas contra descargas atmosféricas. Também há profissionais de nível técnico e com graduação tecnológica atuando nessa área.
Aptidões: além de conhecimentos técnicos que permitam compreender as peculiaridades do fenômeno natural das descargas atmosféricas, o profissional deve dominar as normas que regulam esse segmento. É importante estar sempre atualizado, ter vivência em obras e conhecimento das rotinas, bem como das etapas iniciais de obras. As associações de projetistas, como a Abrasip (Associação Brasileira de Sistemas Prediais), promovem constantemente cursos de atualização nessa área.
Oportunidades de trabalho: principalmente em empresas de projetos e em empresas de sistemas elétricos. Projetistas também encontram boas oportunidades como profissionais autônomos.
Remuneração: muitos profissionais que fazem projetos de SPDA também executam outras atividades ligadas aos demais setores do ramo de eletricidade. Mas, dependendo da formação e da experiência do profissional, a remuneração pode variar em torno de R$ 3 mil. Os mais experientes podem receber até R$ 15 mil mensais.
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