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Por Juliana Nakamura


Projetista de automação predial
Demanda por edifícios inteligentes tende a tornar esse profissional cada vez mais requisitado no mercado

A necessidade de prédios mais eficientes, associada à disseminação e ao barateamento de tecnologias que otimizam a funcionalidade, a manutenção, a segurança e a racionalização de recursos, tem feito da automação predial uma área em franca expansão. Diferente do que ocorria há alguns anos, quando a automação estava restrita a caras e complicadas soluções voltadas a indústrias e a prédios comerciais de alto luxo, torna-se cada vez maior o número e a diversidade de consumidores de softwares para operação, controle e monitoramento dos edifícios.

Tal movimento amplia as possibilidades de atuação dos projetistas de automação predial, profissional que, exceto pela iniciativa das empresas desenvolvedoras de tecnologias - que têm interesse em haver profissionais que saibam especificar suas soluções e produtos - se ressente da pouca oferta de cursos de formação e de especialização no Brasil. "Devido ao aquecimento da construção civil, as oportunidades de trabalho para os projetistas de automação predial vêm evoluindo desordenadamente. Com isso têm-se multiplicado no mercado os projetistas desqualificados e os projetos irregulares", lamenta Ricardo Pretenko, projetista da TAAG Automação. "Hoje, os poucos projetistas habilitados têm demanda permanente pelos seus serviços e o mercado carece de novos e competentes profissionais", acrescenta o engenheiro José Roberto Muratori, projetista de automação da Marbie Systems e conselheiro da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial).

A atuação de "pseudo-especialistas" em automação ocorre também muito em função da pouca familiaridade dos clientes com o objeto contratado. "O desconhecimento por parte dos contratantes faz com que esse tipo de projeto seja desprezado junto à concepção de outros projetos, como arquitetônico, elétrico e hidráulico. Sem contar que temos visto projetos que, embora sejam vendidos como automação, são meras preparações de tubulações", comenta Felipe Gásparo, engenheiro de automação da GDS Automação. Segundo ele, um projeto de automação predial consistente deve prever todos os cabeamentos de controle, sonorização, CFTV (circuito fechado de TV), assim como a especificação adequada de todos os equipamentos ativos.

Sempre à frente
O amadurecimento do mercado de automação depende fundamentalmente da existência de bons projetistas. Afinal, é esse profissional que concebe toda a infraestrutura de automação necessária em função das necessidades por eficiên­cia operacional exigidas pelo cliente/escopo da edificação. Além de definir quais, onde e como os dispositivos de automação serão instalados, o projetista também compatibiliza a introdução desses equipamentos com os projetos de instalações prediais existentes (ar condicionado, elétrica, iluminação e hidráulica). Por isso, é importante que o profissional dedicado a essa atividade tenha uma visão global do edifício e saiba interagir com outras disciplinas.

Por lidar diretamente com novas tecnologias, o projetista ou consultor de automação deve estar sempre por dentro das inovações e das necessidades do mercado. Um bom profissional não deve se contentar em dominar o que é utilizado no momento. "É preciso saber o que será utilizado no futuro para que os projetos possam se adequar a mudanças", diz Felipe Gásparo. Para ele, o maior desafio do dia a dia de um projetista de automação é ter flexibilidade e agilidade para se adaptar às rápidas mudanças tecnológicas, que muitas vezes são alteradas no meio do desenvolvimento de um projeto. Daí a necessidade de o profissional que trabalha nessa área ser curioso e ter interesse em se atualizar constantemente.

"Nesse sentido, a leitura de revistas, sites, blogs e cursos específicos são ótimas maneiras de se manter informado", recomenda Ricardo Pretenko. O domínio do idioma inglês é outra exigência, já que grande parte das soluções é desenvolvida no exterior. Entidades como a Aureside também oferecem cursos e eventos periódicos que reúnem desenvolvedores, fabricantes e profissionais (projetistas, instaladores, integradores). Os principais fornecedores também ministram treinamentos, desde os mais básicos até cursos completos de certificação que habilitam o profissional não só a especificar, mas também a instalar e programar os equipamentos.

divulgação: Areside
José Roberto Muratori, engenheiro, projetista de automação, titular da Marbie Systems e conselheiro da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial)
O Profissional

Como foi o início de sua carreira? Como se especializou?
Há 12 anos eu atuava com venda e instalação de equipamentos de áudio e vídeo. Ao atender os clientes, percebíamos que existia um campo muito maior dentro das residências para oferecer tecnologia de uma maneira integrada e fácil de operar. Nessa época os sistemas eram importados e caros. Mesmo assim já era possível oferecer aos usuários pelo menos a opção de projeto integrado durante a construção ou reforma, de modo que, no futuro, essa edificação pudesse receber inovações. Assim, nos especializamos em fazer projetos antes de pensar em instalar equipamentos.
 
Quais são as maiores dificuldades dessa carreira?
Uma delas é se fazer entender pelo cliente e pelos demais projetistas. O conceito de integração de sistemas e de automação ainda é novo e encontra muita resistência no canteiro de obras. Superado esse obstáculo, o desafio passa a ser criar um projeto claro e moderno. Por fim, é preciso levar esse projeto à execução e validá-lo em obra. O projetista de automação não pode se contentar em ser um profissional de gabinete. Ele deve ser pró-ativo e participar do processo preferencialmente até conclusão da implantação.
 
Que dicas o senhor pode dar para o profissional que almeja ingressar nessa atividade?
Além do gosto pela tecnologia e por se manter atualizado, é preciso desenvolver uma visão sistêmica, já que nessa atividade é mais importante ser um generalista do que um especialista. O profissional estará diariamente integrando tecnologias diversas. Portanto, é mais importante conhecer as interfaces entre os sistemas do que as especificidades de cada equipamento. Para isso, existem especialistas e fabricantes.

 
   
 
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