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Gerente de desenvolvimento tecnológico


Não existem muitos profissionais nesta área relativamente nova. Oportunidades devem aumentar com a chegada da Norma de Desempenho


Luciana Tamaki


O departamento de desenvolvimento tecnológico não existe em todas as construtoras. Geralmente, as que o possuem são as grandes construtoras do Brasil e, mesmo assim, a implementação desta área é recente, só em meados dos anos 1990.

O objetivo principal desta área é a busca de sistemas construtivos que melhorem a qualidade do produto e que também reduzam o custo e prazo de execução. Para esta tarefa, os engenheiros responsáveis devem aliar profundo conhecimento de canteiro e habilidades tanto técnicas como comerciais. "No mercado, esses profissionais são raríssimos, mesmo porque é preciso acumular certos aprendizados na carreira", analisa Thiago Leomil, gerente de planejamento da Gafisa.

No desenvolvimento de produtos e sistemas construtivos, o gerente de desenvolvimento tecnológico interage com laboratórios, fornecedores de materiais, a indústria, fornecedores de mão de obra, e com os departamentos da própria empresa. A rotina é de gerenciar e acompanhar o processo. "Fazemos todas as interações: ir na indústria, validar o produto, fazer experiências, fazer contas e cálculos, checar se deu certo na obra, fazer contas de viabilidade financeira, negociar com a indústria, ou seja, é um mundo completamente dinâmico", explica Leomil.

No meio dessas tarefas de naturezas diferentes, a formação da pessoa deve necessariamente ser de Engenharia Civil e com experiência em obra, para avaliar a real possibilidade de cada desenvolvimento. Além da técnica, esta pessoa também precisa ter capacidade de gerenciamento de projeto e capacidade de negociação com a indústria.

Este trabalho trata de novas soluções, e "em 90% dos casos é preciso desenvolver a metodologia e desenvolver também o fornecedor para aquela metodologia", diz Leomil. "É preciso fazer as contas com o fornecedor: seu investimento em maquinário, a escala do produto, o custo final do produto, o valor que podemos pagar e, então, sua margem de lucro", completa. No final, é o engenheiro da construtora que acaba "desenvolvendo" de fato o fornecedor.

Divulgação: Tecnisa

O profissional
Maurício Bernardes
gerente de desenvolvimento tecnológico da Tecnisa

Quando foi implementado este departamento na empresa?
Em meados de 1995.

E como você começou nesta carreira?
Entrei na Tecnisa em 1998 como chefe de canteiro de obras. Em 2005, assumi a área de tecnologia.

Qual foi a importância da sua experiência em obras no desenvolvimento tecnológico?
É necessário e fundamental que o engenheiro entenda dos processos produtivos. O que desenvolvemos tem relação estreita com canteiro de obras, então, é preciso entender das questões de manutenibilidade e de como deixar sua ideia aplicável no canteiro.

Como se deu sua especialização?
Fiz três cursos que creio importantes: pósgraduação em Engenharia de Produção junto à Fundação Vanzolini, que dá uma visão de indústria na construção civil; MBA na Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ceag) em administração de empresas, que traz um entendimento de marketing, visão do cliente, cadeia de suprimentos etc.; e mestrado em tecnologia na USP, no qual duas matérias diziam respeito a desenvolvimento tecnológico. Isso foi muito importante. Eu não contrataria um gerente que não tivesse mestrado, porque lá a pessoa passa por situações bastante difíceis e se expõe bastante. Só o MBA é insuficiente.

Quanto, em média, trabalha por dia?
Das 8h00 às 18h00 ou 19h00, e procuro não trabalhar aos fins de semana.

Quais são suas atividades diretamente ligadas à tecnologia?
Uma parte do meu dia é dedicada a reuniões com a equipe para orientação e organização dos estudos, que muitas vezes são inéditos. Nas reuniões de brainstorming, discutimos ideias do mundo inteiro. Também faço contato com fornecedores para fomentar o desenvolvimento tecnológico junto à indústria, fazendo um trabalho conjunto, ou recebo os fornecedores que tenham uma novidade, para fazer sua validação por meio do desenvolvimento e pesquisa. Também participo no desenvolvimento de projetos, na consultoria de especificação de sistemas construtivos e na geração de patentes.

E outras atividades?
Faço trabalho interno de promoção do departamento, participo de concursos, congressos e palestras. O departamento também é responsável pelas práticas de sustentabilidade, além de coordenar o portal de gestão do conhecimento, formado pela base de dados, ações de benchmarking e relatórios de outras áreas.

Quais são os maiores desafios desta carreira?
Tem sido um desafio a aproximação da estratégia do negócio. Quando comecei, éramos muito técnicos, pensávamos em coisas pontuais. Depois, começamos a ver que todos eles têm um fim, seja um benefício para o cliente, melhor imagem da companhia, um valor agregado. Outro ponto é que no Brasil, infelizmente, boa parte das empresas desconhecem o desempenho e comportamento do produto que vendem, e acabamos pagando por ensaios, trazendo consultores. De maneira geral, as outras empresas imaginam que isso é custo. Mas, nos últimos cinco anos, para cada R$ 1 real investido, tiramos R$ 6.

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